A pedagogia do oprimido
1) A partir da leitura do capítulo 2 de “Pedagogia do Oprimido”, elabore uma tabela comparando as concepções “bancária” e “problematizadora”.
2) Segundo o seu entendimento, a conscientização do educando é um processo interno, que se dá no interior do indivíduo? Ou é algo que, necessariamente, tem que vir de fora, sendo “introduzida” pelo educador? Ou, perguntando de outra forma: a pessoa se conscientiza ou é conscientizada? Ou ainda: você acha que a educação escolar tem o poder de modificar, para melhor, a “natureza” dos indivíduos?
3) Segundo Paulo Freire, existe uma “medida” ou uma forma de atestar se uma pessoa é ou não consciente? Se sim, como seria isso? Se não, como avaliar se um projeto educativo é “conscientizador”?
4) Leia, veja, reflita:
a) Um educador humanista, revolucionário, não há de esperar esta possibilidade (a contradição da educação bancária). Não fazemos esta afirmação ingenuamente. Já temos afirmado que a educação reflete a estrutura do poder, dai, a dificuldade que tem um educador dialógico de atuar coerentemente numa estrutura que nega o diálogo. Algo fundamental, porém, pode ser feito: dialogar sobre a negação do próprio diálogo (Paulo Freire)
b) Assista o depoimento da professora Amanda Gurgel diante da Câmara dos Deputados do Rio Grande do Norte:
Diante do exposto, reflita sobre os limites e desafios do papel transformador da sociedade, frequentemente atribuído aos professores.
Bibliografia
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. [Acesso ao texto, PDF, 442 Kb]
SAVIANI, Demerval. História das idéias pedagógicas no Brasil. 2. ed. Campinas: Autores Associados, 2008.
22 Comentários para “A pedagogia do oprimido”
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a) Diante do lido no livro, referente à questão acima, faz-se uma concepção de que o homem sentindo, mais do que apenas sabendo, este inserido numa realidade e que está é sua vivência plena é parte de sua crítica, do seu despertar da consciência. É lógico, fato, é histórico, é inerente, que a educação reflete a estrutura do poder, tal qual o poder muito determina, reflete a estrutura, o tipo de educação vivida. Há sim de haver dificuldade de um educador inserido em tal realidade que negue o dialogo de atuar com o próprio dialogo. Ora, se o educador dialógico tem dificuldade de expor o dialogar numa estrutura (o poder) que o oprime, reprime e o abstrai certamente o fundamental é ‘’solucionar’’ dialogando a respeito da negação do próprio dialogo como referindo Paulo Freire. Esta ‘’solução’’ de certa forma poderia agradar ao poder ao mesmo tempo em que o ‘’manipula estrategicamente’’ e assim fazer os objetos e sujeitos enfim mais críticos, podendo haver criatividade, saber simultâneo e conseqüentemente a transformação e superação da contradição educador-educando para que ambos se eduquem. Pois discutir este fundamentalismo da negação do próprio dialogo coloca os envolvidos a mercê de descobrirem-se libertadores e superadores da contradição da implícita educação bancária.
b) O s governantes que ‘’mandam’’ no país e em nós deveriam ser obrigados a colocarem seus filhos em escolas públicas, que são mais de fácil acesso a população de maior demanda que é a de baixa renda, assim o Brasil seria mais rico de muitas coisas, de moral, de respeito, de emprego e verdadeiros profissionais, um ajudando o outro. Muitos limites são impostos, como esses de os governantes não darem um melhor empenho salarial aos professores e condições outras dignas de sua atuação. Desafios que muitos que lutam pela libertação tentam alcançar rente a sociedade. Um exemplo de limite e desafio é no meio rural, onde muitas vezes a população é marginalizada e colocada em segundo plano em ações que a mesma possa tomar partido, onde os professores são obrigados a ensinarem de certo modo por que nos livro que são ministrados lá, e se houver livros mesmo, não possuem a cultura de valorização da própria terra, onde há condições precárias de ensino e aprendizagem. Há muito limite, dificuldade, desafio que a sociedade e o professores nela inserido deve recorrer tomar posse para um país melhor educativo, onde os governantes não dão a mínima para o fundamental que é uma educação de qualidade.
Dificuldade esta que deve ser vencida e superada, a exemplo, digamos, da ditadura, esta que já de certa forma não existe mais. Ou será uma mera ‘’metamorfose’’, algo igual sendo diferente, ou ainda algo diferente sendo a mesma coisa?
DAYSE
Discordo do método porem faço um Complemento
Não ficou muito claro no inicio Dayse… Talvez por algum erro de acentuação, vírgula etc. (alem de estarmos tentando construir a partir de textos de uma pessoa que se preocupava com que o povo, a base, as massas populares tivesses condição de entender e interpretar sua realidade e que o professor (nesse caso você cumpri esse papel), tivesse a preocupação de se fazer entendido por essa camada da sociedade) Não basta aprender “Ana viu a uva” è preciso saber quem é Ana, como ela se relaciona com a sociedade, quem produz a uva e etc..Paulo freire
Bom,
O educador diante de sua domesticação histórica é direcionado a reproduzir o discurso e a pratica dominante e isso coloca-o muitas vezes como o “educando de Paulo freire” frente ao poder “determinante” da minoria detentora do poder de decisão. “Como Paulo freire coloca muito sabidamente que,” há um sem numero de educadores de boa vontade que apenas não se sabem a serviço da desumanização ao praticarem o “bancarismo”. O fato em si, está na estrutura sistêmica que, dentro da educação, coloca o educando como o ultimo a sofrer as conseqüências dessa estruturação efeito dominó, da necessidade de dominar pela adequação e pelo comodismo social e político do educador e do educando de maneira geral. A necessidade de que os educadores tenham uma visão libertadora, através da pratica do ensino recíproco é um fato imprescindível, mas que enfrenta grandes dificuldades quando se depara com uma educação mercadológica em vigência na sociedade atual, que não ensina mais o homem a refletir e sim a se acomodarem em espaços de necessidade mercadológicas do sistema.
O homem deve está pronto para exercer o seu papel criador e transformador da sociedade e cada individuo tem o dever de ser um educador em potencial para construir ambiente para se livrarem das amarras mercadológicas da educação vigente. Não existe limite para a capacidade de criação e transformação do homem mais existem grandes desafios no papel transformador da sociedade e que enfatizo a preocupação que tenho de diminuir o peso em que é jogado aos educadores “institucionalizados”, que estão nas salas de aula, pois, todos somos educadores e transformadores em potencial da sociedade.
Dayse e Pedro, parabéns por iniciarem o debate. Para os que seguem, sugiro “pinçar” elementos bem específicos das duas análises, para que discutamos o assunto em profundidade.
Atualmente, as escolas (particulares, certamente) visa a ascensão. Elas se preocupam com o maior número de aprovações nos vestibulares, nos outdoors nas ruas, se tal professor que está em “alta” vai aceitar a proposta de emprego e no quanto de alunos se matricularão no próximo ano e esquecem de priorizar a principal missão do educador.
Devido a isto, cada vez mais o aluno se coloca no papel de “depósito” e o professor no papel de depositante, pois este precisa preencher a “vasilha” com o máximo de informação possível, sem se importar com as particularidades de cada estudante na sala de aula, das situações da vida. Realmente a educação virou questão de negócio, “concepção bancária” é um termo que se encaixa perfeitamente até mesmo porque além da relação aluno/depósito e professor/depositante, aqueles que tem dinheiro vão pagar mais caro e terão maiores chances de obter resultados.
Como o autor declara não existe recriação do mundo, o aluno não está preparado para indagar, perceber, compreender ou modificar o que está a sua volta, e com isso, os sistemas mercadológicos conseguem que homens se comportem como “coisas” e dessa forma ocorre a opressão. Se a pedagogia da libertação for realizada da mesma forma que é dita na teoria, ela deve cumprir o papel de libertadora dos oprimidos.
Concordo plenamente com vocês Pedro e Nathália. A educação está sendo invertida no que seria realmente educar. A postura de um professor está na criação do pensamento crítico, educando e sendo educado, conscientizando e sendo conscientizado. A força da obra de Paulo Freire não está só na sua teoria do conhecimento, mas na insistência da idéia de que é possível, urgente e necessário mudar a ordem das coisas. “Se pretendemos a libertação dos homens não podemos começar por aliená-los ou mantê-los alienados” Paulo freire.
Segundo Freire, Só a libertação dos opressores, feita pela movimentação e conscientização dos oprimidos, poderia ser o elo propulsor para construir uma sociedade de iguais.
Para ser um bom educador, não se faz necessário fazer do educando um projeto de mecanismo de apenas transferir conhecimento, mas participar e interagir na formação e compreensão do educando, sob um ponto de vista cultural, social, político e principalmente educacional.
“Educação é uma forma de intervenção do mundo”.
A educação é um meio de construção e reconstrução de valores que dignificam as pessoas e as tornam mais humanas. “Numa educação ética, é preciso resgatar e incorporar os valores de solidariedade, de fraternidade, de respeito, interação, podendo mudar sim pra melhor a natureza das pessoas tornando o educar num processo em que o professor e o aluno crescem juntos. “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”.
Segundo Paulo Freire “Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.” Como já mencionado anteriormente pelos colegas, o que se observa atualmente na educação, não generalizando, é justamente a concepção bancária, onde torna os alunos passivos ao conteúdo que é exposto, meros absorvedores de matérias. Diria ser quase uma forma de domesticação, é preciso pensar em que tipo de cidadão queremos formar, tendo em mente o papel que exercerão na sociedade. Será apenas alguém que siga as regras, ou um alguém crítico, que questione o porquê delas e que através desse questionamento gere mudanças necessárias? Logo se faz necessário que o educador crie um clima de liberdade em sala de aula, levando em consideração diferentes pensamentos e opiniões dos alunos, gerando uma troca de conhecimento mútuo, onde a função do aluno não é apenas ser educado, visto que os homens educam entre si. Para que se quebre essa pedagogia dos dominantes, onde o educador é o sujeito e o educando alienado a ser sempre objeto, é necessário que os oprimidos descubram nitidamente o opressor, e se engajem na “luta” organizada por sua libertação, se impondo a transformar essa realidade.
Tentando agregar algo mais ao que foi exposto pelos colegas acima, eu diria que a concepção da “educação bancária” infelizmente, serve para perpetuar o sistema imposto pelos “donos do mercado”, que se apropriaram do poder, pois de forma dissimulada, está fundamentada na idéia de impedir o desenvolvimento do senso crítico dos nossos educandos, usando como instrumentos os “eucaliptos”. Eles também se utilizam do poder político, esse com o pretexto de manter ordem e a paz social, oprime o povo através da força e da “mordaça” da alienação. Criam-se mitos usando “lideranças” carismáticas para desviar a atenção do foco.
Alguns “eucaliptos” chegam a afirmar que durante sua formação fingiam aceitar as normas impostas, apenas para conseguir entrar no sistema e depois contestá-lo, porem na prática da docência reproduzem exatamente o que lhes foi ensinado. Repassam o “conhecimento” sem se preocupar com a realidade ou particularidade de cada um, sem aceitar qualquer sugestão ou contestação, exaltam sua autoridade e a hierarquia com autoritarismo exacerbado. Se algum aluno relutar em aceitar passivamente, é logo rotulado e desqualificado, sem chance de expor suas idéias. Esses “eucaliptos” são tão pragmáticos que chegam a frisar para os educando que “eles não vão transformar o mundo”, tentando causar desmotivação.
Precisamos urgentemente, cultivar “jequitibás”, pois esses têm a verdadeira noção da necessidade de uma educação problematizadora. O educador (jequitibá) tem uma visão holística, consegue enxergar as mais variadas dimensões e perspectivas do ser, sabe que esse ser (educando) se reconhece no outro (educador), e só respeitando-se suas particularidade, potencialidades e limites é que conseguem se construir simultaneamente.
Esse será o caminho para nos libertarmos da opressão.
Concordo, Flávio.
Freire diz que“ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Muitos educadores hoje em dia ainda acreditam que o papel do professor é transmitir o conhecimento, sendo essa a única forma do aluno aprender.
A superação da situação é trabalhar a educação como prática de liberdade, onde a realidade é inserida no contexto educativo, sendo valorizado o diálogo, a reflexão e a criatividade, de modo a construir a libertação.
a) Diante do capítulo lido, referente à questão quatro, faz-se uma idéia de que o educando não precisa só saber mais sentir, pois a realidade que está inserida foge um pouco da realidade desejada, sendo necessário o despertar de consciência. A educação nada mais reflete do que o poder, pois apenas uma única pessoa por mais vontade que tenha não vai poder mudar o sistema sozinha. Então faz necessária a soma educador e educando, para acabar com o fundamentalismo da negação do próprio dialogo, mudando a visão divergente contida na educação bancária que vê o professor como mero transmissor passivo de conteúdos, assumido como aquele que supostamente tudo sabe, para o aluno, que era assumido como aquele que nada sabe.
b) Os governantes do nosso país enchem a boca para elogiar a educação e saúde, mas não tem o filho de nenhum na escola pública, qual é o parâmetro utilizado para esta análise. Os professores ganham mal os alunos chegam em sua maioria com fome nas escolas sem falar das condição de trabalho. O que fazer de uma situação? Encontramos uma situação ainda mais complicada quando partimos para o meio rural, as escolas são de difícil acesso, os alunos se arriscam em conduções (veículos) deploráveis e os professores, infelizmente, não podem fazer nada a não ser lamentar e os governantes continuam não dando a mínima para o primordial que é uma educação de qualidade. Embora com tanta dificuldade, não se deve desistir e sim vencer e superar esta situação, pois se todos desistirem quem vai lutar?
Creio que a visão do autor, não é somente a abordada neste capítulo do Livro, pois, não acredito na limitação ou implantação de uma verdade absoluta, ou, único método, para abordamos a educação. Se podemos criar uma possibilidade, é claro que teremos que passar algo que temos e que subentende-se o educando ainda não tenha, não limitando que ele possa adquirir isso através de seus esforços e vivência.
Cito como exemplo a aplicação de uma fórmula matemática. Creio que não há alguém que sozinho, sem a ajuda de um livro que a apresente ou do educador, venha a pensar no Delta da equação do segundo grau.
Notamos ainda uma certa limitação do potencial do educando, como se ele fosse tomar tudo que o educador lhe passa como verdade absoluta e se limitar a pesquisar em cima daquilo, embora muitos realmente assim o façam, outros buscam contrapor ideias e adequar o conhecimento de mundo ou experiências vividas para, somente depois, tomar aquilo como verdade.
Não discordo do modo de problematização, nem do mal uso do modo bancário, causando opressão do sistema sobre o educando, como o faz todo o sistema ao notar uma deficiência em seu subordinado, mas acredito que há momentos dentro do processo educacional em que o educador deva, visando não oprimir, mas incentivar a busca do conhecimento ou a inspiração para fazer uso correto do que já é sabido, transmitir suas experiências e fazer uso de seu papel de formador de opinião, e de instrutor para a vida.
Concordo, pois a educação em nosso país é vista como um “negócio”.Um bom exemplo, são as escolas particulares, cujo obejtivo principal é alcançar um alto índice de aprovação nos vestibulares. Esperando como resultado, muitas matriculas. Aplicando a concepção “bancária” da educação. Segundo Paulo Freire”desta maneira a educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o eduncador o depositante”. Ou seja, essa formação apenas serve para forma repetidores de informações e não seres pensantes e críticos. Esse sistema, contribui para haja mais “eucaliptos” do que “jequitibás”.
concordo com o pensamento de Mirian.
Essa excludente prática “bancária” em nossa educação e a institucionalização geral, desde currículos até formatos pedagógicos passando pelas influencias de investimentos externos é pra mim uma questão urgente, a qual pode e dever se mudada a partir do grande agente transformador que em minha opinião, já concordando com o supracitado por Pedro Moura, somos nós “educadores em potencial da sociedade”.
Porém, como Ruben Alves comprara o educador com os jequitibás, os dois em extinção, raros e “são como velhas árvores… habitam um mundo em que vale é a relação que os liga aos alunos” e fala dos professores como entidades “descartáveis” e de fácil reprodução como os eucaliptos. O mesmo ainda diz que “as florestas foram abatidas, o mundo mudou… que o nicho ecológico mudou… o professor é funcionário de um mundo dominado pelo estado e pela empresas”.
Então, como seria esse processo? Como poderíamos resolver os problemas de evasão e currículos? E mais que isso como poderíamos dar vez aos educadores para eles “trabalharem”? Para os homens se educarem entre si? Como fala Paulo Freire “agora ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo”.
E como vimos e discutimos em sala, nenhuma instituição gera aqueles que tocarão as trombetas para que seus muros caiam. Vão preferia manter a “cultura do silêncio”.
Ainda
Sobre o comentário de Deyse sobre nosso governantes e o fato de colocar seus filhos em escolas públicas…
Mando esse link de algo interessante que eu vi e até tinha comentado com o professor Sabbatini em sala de aula
http://revistatrip.uol.com.br/revista/203/salada/a-bandeira-da-educacao.html
propõe que qualquer político eleito seja obrigado a matricular seus filhos em escolas públicas. Para Buarque, a medida aumentaria o interesse do legislativo e do executivo para a defasagem do sistema público de educação.
Acho interessante, mas ao mesmo tempo acho muito dificil de ser aprovado, pois acredito que os mesmos que tem como intenção manter seus filhos em outra realidade que não a das escolas publicas, e finaciar a educação cara dos filhos seria mais barato e fácil do ir de encontro as politicas dos “patrocinadores” da educação.
Me junto às tantas opiniões já tão complementares… nada a não ser reforçar a visão de oprimido e ainda tão atual. Como imaginar que ideias escritas em 68 até agora sejam tão presentes? Nada mudou? Sim, e não só mudou, talvez possamos até dizer que “piorou”. O opressor não é mais só uma questão política, o educador combate mais formas de oprimir poruqe a nossa consciência de oprimido ainda esta dentro deste mundo preparado e manipulado pelos opressores. Problematizar, dialogar e libertar, palavras tão citadas por Paulo Freire 43 anos atrás, e que ainda que podem nos conduzir a melhoria do sistema educacional do século XXI.
Realmente a educação atual no Brasil é desigual, ou seja, foi hierarquizada favorecendo as classes sociais mais altas pois o ensino privado propicia melhor qualidade de educação. Com o advento da industria cultural, na qual tudo gira em torno do capital, a educação também passou a ser um produto e não uma prioridade.O que antes visava preparar formadores de opiniões, hoje, como citado no texto proposto, o educador conduz os educandos à memorização mecânica do conteúdo narrado e pensamentos prontos, não havendo nenhum tipo de estimulo para que o aluno reflita sobre o assunto, adquirindo assim uma capacidade critica.
A fala da professora Amanda descreve a grande realidade da educação no Brasil. Quanto ao papel atribuído ao professor como transformador da sociedade, a deficiência começa na ausência de investimento na qualificação dos próprios professores, que na maioria das vezes tem que se esforçar com recursos próprios para fazer uma especialização, esses mesmos não recebem nenhum tipo de investimento do governo, nem na valorização da profissão. O que entendo dentro da realidade relatada pela professora Amanda, é que o governo pode investir tanto na qualificação desses profissionais quanto também na estrutura das escolas, lazer, alimentação…
Infelizmente na atualidade a educação infantil esta mais na mão dos professores do que dos pais que se ocupam cada vez mais dentro do mercado de trabalho e atribuem aos professores esse papel que na realidade deve iniciar em casa e infelizmente os próprios professores tem colhido os frutos dessa educação abandonada no nosso país, pois quem tem sofrido agressões e assassinatos dentro das instituições de ensino são os próprios professores que além de mal remunerados tem que viver uma maratona para sustentar suas famílias como relatado também pela professora.
Achei interessante esse trecho para análise: “Na concepção bancária que estamos criticando, para a qual a educação é o ato de depositar, de transferir, de transmitir valores e conhecimentos, não se verifica, nem pode verificar-se esta superação. Pelo contrário, refletindo a sociedade opressora, sendo a dimensão da ‘cultura do silêncio’ a ‘educação’ ‘bancária’ mantém e estimula a contradição”.
No processo de transmissão e assimilação de um determinado conhecimento, sem que haja possíveis superações do prescrito, os homens são vistos como seres da habitação, do ajustamento, concretizando uma grande contradição no processo educacional. Haja vista que um homem conhecedor de determinados valores e procedimentos, é considerado um homem visionário, questionador e crítico. Porém, no modelo da “educação bancária”, esse, é um mero cidadão adequado à sociedade a qual vivemos: “Quanto mais se exercitem os educandos no arquivamento dos depósitos que lhes são feitos, tanto menos desenvolveram em si a consciência crítica de que resultaria a sua inserção no mundo, como transformadores dele”. Uma vez que os alunos são direcionados a assistir, operar e trabalhar os conteúdos que lhes são impostos sem que haja uma possível dinâmica entre os alunos para a escolha dos determinados conhecimentos a serem efetivados, ou seja, os alunos aprendem o que o sistema (opressor) determina que eles aprendam. Para os opressores é favorável, mentes parciais em relação aos problemas da sociedade, por isso reagem a uma educação estimulante que efetive o pensar autêntico. “Na verdade, o que pretendem os opressores ‘ é transformar a mentalidade dos oprimidos e não a situação que os oprime’, e isto para que, melhor adaptando-os a esta situação, melhor os dominem”.
Esse é o retrato básico da sociedade a qual vivemos a educação não é a intermediação para transformá-la (sociedade) e sim, para transformá-los (cidadãos). Dessa forma, a aristocracia sempre vai predominar, uma vez que não temos a efetivação do poder crítico nas mentalidades populacionais, o que temos e formamos é uma massa, direcionada e pré-determinada a um só padrão, modelo, enquanto que as “mentes pensantes” (opressor) sobrepõem-se.
“A narração de que o educador é sujeito, conduz os educandos a memorização mecânica dos conteúdos narrados”.
Esse tipo de prática, propiciada pelas aulas expositivas em sua maioria, faz com que os alunos simplesmente absorvam o conteúdo sem que haja chances que de críticas, opiniões, os alunos se vêm em uma condição de “vasilhas em ‘recipientes’ a serem enchidos pelo educador” como diz Paulo Freire. Esse tipo de aula é mais favorável aos professores, que se sentem mais seguros quando transmitem o assunto em questão para os alunos: “Quanto mais vá enchendo os ‘recipientes’ com seus ‘depósitos’, tanto melhor educador será”. Desta forma, a educação transforma-se em graduações repetitivas, ou seja, o educador não oferece uma margem para que os alunos cresçam como conhecedores das determinadas ciências e sim transmitem o que lhes foi passado e os alunos copiam e transmitem da mesma forma. Eis aí a concepção bancária da educação, na qual ocorre a cópia de informações e a transmissão delas, por não haver criatividade, inovações, transformações de saberes, fenecendo o processo de busca no conhecer, tragando o que chamamos de alienação da ignorância.
Concordo Mércia Silva. Essa “concepção bancária” faz dos alunos simples “vasilhas”, as quais nada se pode esperar no quesito inovação.
Tendo em vista que esta apresenta os educandos como meros receptores de conhecimento, não possuindo pensamento próprio, onde o conteúdo é apenas memorizado e não compreendido, além de ficarem “bitolados” a uma única verdade, a então, transmitida pelo professor.
Em contrapartida, tem-se a concepção problematizadora que funciona a partir da autenticidade de pensamento dos alunos, estimulando a formação do crítico e do comum a todos.
Para tanto que, quando se tem a questão: “a conscientização do educando é um processo interno, que se dá no interior do indivíduo? Ou é algo que, necessariamente, tem que vir de fora, sendo “introduzida” pelo educador?” Pode- se dizer que esta pode partir dos dois lados. Tanto faz uma pessoa se conscientizar daquilo que está fazendo e/ou ser conscientizada disso. Tendo então, a consciência interna, que seria característica própria do ser humano para o sentido do que seria “certo e errado”, e pode ser algo externo, quando um educador por si só apresenta esse “certo e errado” para o seu aluno, buscando introduzir conhecimento e não mudar a natureza do aluno, uma vez que esta não pode ser modificada, o que pode existir é a mudança de hábitos e atitudes que pode levar a melhora deste como indivíduo.
A educação no Brasil, em especial, vem sofrendo com a capitalização, o ensino passou a ser vendido ao invés de ser conduzido aos indivíduos.A forma com que é visto: as pessoas pagam para seus filhos-como uma esponja- absoreverem conhecimento para ingressar em instituições públicas de ensino superior, condicionando-os a essa forma degradante de aprendizagem de algo que logo esquecerão, sem formar um cidadão com pensamento crítico. Devemos pensar o que queremos, formar robôs ou um cidadão?
No Brasil a educação é tratada como comércio realmente como citou Paulo logo acima escolas de nível médio e fundamentais que cujo objetivo principal deveria ser o de formar cidadãos na verdade estão apenas preparando os alunos para os vestibulares, enquanto faculdades “vendem” diplomas a torto e a direito e nos vem a pergunta: O que realmente se espera dos novos ” cidadãos ” que estão sendo criados?
O depoimento da professora Amanda Gurgel mostra claramente a indignação formada a partir da desvalorização de uma profissão tão importante para a base de qualquer sociedade , mostra um sentimento de revolta por se sentir ipotente diante de tal situação.
A educação no Brasil está meio que “banalizada”, pois as escolas publicas não tem força e nem estruturas para “bater” de frente com os colégios particulares, que por sua vez so vijam o lucro atraves das aprovações nos vestibulares de instituições de renome. No decorrer dos trabalhos, os alunos ficam com posturas de “robôs” e que os professores tem que apenas fazer seu trabalho que é repassar os conhecimentos aos alunos. Neste contexto, os colégios utilizam os alunos feito “mercadorias”, nesse processo os colégios utilizam o metodo das aulas expositivas, onde os professores vão passar o assunto e os alunos vão ser uma espécie de receptaculos para absolver todo o conteúdo. Dessa maneira o professor fica com todo o “poder” na aula, e os alunos ficam desprotegidos, pois muitos não tem coragem de iniciar um debate sobre o assunto, esse tipo de debate poderia iniciar uma melhoria na aula e causar á aproximação do professor e aluno. Com essa metodologia que os colégios usam, eles estão mascarando a real situação, onde estão voltado apenas para o lucro e não para a formação dos cidadões. Entrentado este comercio esta longe de ter o “estoque zerado “, pois vem funcionando, e a cada ano os colégios faturam mais com a matricula dos alunos novatos que vão baseados nas aprovações dos vestibulares. Com esse mercado enriquecendo a cada ano e os empresarios ficando cada dia mas rico, os professores continua na mesma situação, trabalhando muito e ganhando pouco. Muitos professores estão se “prostituindo” trabalhando de manhã, tarde e noite em 3 ou 4 instituições diferente para receber um salário que chege a ser digno da profissão.
Parece-me que todos temos a mesma opinião com relação à qualidade do ensino atualmente e claro, sobre o trabalho dos nossos educadores.
Uma vez ouvi a professora Maria Eduarda (Doutora em sociologia UFPE) dizer: ‘’ A educação no Brasil, seja ela privada ou pública, é ruim. ’’
E concordo com ela, uma vez que, claro que não podemos ser demagogos ao ponto de achar que um aluno de uma escola particular, de renome não vai ter acesso a um maior número de itens que o ajude a na construção do seu saber, mas estes, não estão assim tão na frente dos alunos de escola pública. Haja vista, terem as duas escolas, uma coisa em comum, que as tornam ruins. O método de ensino.
O Pedro Moura bem citou que os educadores têm ‘‘… Uma visão libertadora, através da pratica do ensino recíproco é um fato imprescindível, mas que enfrenta grandes dificuldades quando se depara com uma educação mercadológica em vigência na sociedade atual… ’’. É exatamente nesse ponto que mora o X da questão. Vontade de mudar existe, o que não existem são os meios para a mudança. Numa visão bem desacreditada da nossa política atual, para que um governo vai querer cidadãos instruídos, pensantes, contestadores, politizados etc. e tal?
Não quer, porque simplesmente NÃO É VANTAJOSOS para eles, pois é assim que funcionam as coisas para quem ‘’manda’’, só faz-se alguma coisa, se desse ato eles possam ter alguma vantagem, algum beneficio real. Pois todas as vezes que algum aprende/acredita apenas no que lhe é ‘’cuspido’’ a sociedade perde um ativista na luta pela mudança, uma ONG perde um membro na luta pela mudança, um sindicato perde um filiado na luta pela mudança, etc. e assim será até que nós decidamos deixar de sermos “vasilhas em ‘recipientes’ a serem cheios pelo educador” como diz Paulo Freire.
Sem mais.