O tecnicismo revisitado

tecnicismo e tecnologia educacionalO engenheiro Alexandre Dias, de 38 anos, não é mais diretor-geral do Google no Brasil. Nesta quinta-feira, o executivo anunciou seu desligamento da empresa de tecnologia para assumir o cargo de presidente da Anhanguera Educacional, rede de ensino superior que conta com 300 mil alunos espalhados em faculdades localizadas em 40 cidades e que faturou R$ 1 bilhão em 2009, aumento de 40% em relação ao ano anterior.

Nos próximos cinco anos, a Anhaguera Educacional espera superar um milhão de alunos matriculados. Hoje, o mercado brasileiro de educação soma sete milhões de alunos, sendo que mais de 70% estão matriculados em redes privadas. De acordo com a Anhanguera Educacional, esse número deve aumentar nos próximos anos uma vez que existem 20 milhões de jovens, principalmente na classe C, que não têm diploma.

Algumas frases dita em entrevista:

“A educação é um setor que passa por um processo de profissionalização e que atrai capital e gestão de ideias. Mais do que nunca, é um setor que vai passar por uma revolução. Hoje a educação ainda é muito tradicional, usa giz e quadro para transmitir conhecimento. Tem gente que discute se esse é o melhor método de passar o conhecimento.”

“O que chama a atenção lá fora é a visão de escalabilidade da tecnologia na educação. Alguns grupos educacionais têm data center e oficinas de conteúdo que distribuem conteúdo em escala para milhares e milhares de alunos. É como navegar num portal ou numa loja virtual. Mas, ao invés de fazer uma compra ou ler uma notícia, você passa por uma experiência de aprendizagem.”

“É um salto grande. Mas em 2005 a empresa tinha 20 mil alunos. Naquela época, falar em 300 mil era um sonho distante. A ideia agora é acelerar o crescimento. Pelo histórico, isso é possível. Para atrair, vamos usar três alavancas. A primeira é o modelo orgânico de crescimento, onde visualizar espaços no mercado para faculdades e trabalhar o mercado da região. Também vamos fazer aquisições. A Anhanguera é a empresa que mais fez aquisições no mercado de educação”

1, Qual o pressuposto epistemológico implícito nesta visão de educação. Justifique.

2. Analise esta proposta educativa em função do esquema “agente – educando – mensagem – contexto- finalidade”.

3.Esta proposta pode ser entendida como um ressurgimento da tendência pedagógica chamada “educação liberal tecnicista”. Com esta informação e baseado leituras de material bibliográfico, responda:

a) Por que esta tendência se chama “liberal”?

b) Identifique três características da tendência tecnicista na educação.

c) A pedagogia tecnicista é “encarada como um instrumento capaz de promover, sem contradição, o desenvolvimento econômico pela qualificação da mão de obra, pela redistribuição de renda, pela maximização da produção”. Você acredita que este projeto é capaz de transformar a realidade social? Justifique.

4. Diante das discussões sobre o conceito de “educação”, “educador’, “pedagogia” e “práxis pedagógica”, posicione-se diante deste projeto educativo. Justifique, utilizando argumentos e buscando fundamentos em sua resposta.

Bibliografia

MIRA, Marilia Marques; ROMANOWSKI, Joana Paulin. Tecnicismo, neotecnicismo e as práticas pedagógicas no cotidiano escolar. In: IX Congresso Nacional de Educação, III Encontro Brasileiro de Psicopedagogia, Curitiba, 26-29 de outubro de 2009, Anais…, Universidade Federal do Paraná, 2009. [Acesso ao texto, PDF, 256 Kb]

SAVIANI, Demerval. História das idéias pedagógicas no Brasil. 2. ed. Campinas: Autores Associados, 2008.

19 Comentários para “O tecnicismo revisitado”

  1. Antonio Vanderlan 2 novembro 2011 at 7:05 pm #

    Fica claro q o objetivo neste caso são meros negócios. O trecho onde fala q o aluno vai passar por uma “experiência de aprendizagem” dá a entender q ele terá a experiência naquele momento, mas não aprenderá nada.
    É um grande negócio onde o próprio presidente diz q a educação atrai capital e gestão de ideias.

  2. J.Rodrigo 3 novembro 2011 at 8:42 am #

    Em detrimento às questões do capitalismo exacerbado, a educação tecnicista é mais uma bola de neve financeira.

  3. Tomaz Carvalho 3 novembro 2011 at 8:47 am #

    Este modelo é capaz de mudar a realidade social? Sim na medida econômica, e apenas. Nunca será capaz de mudar a ‘classe social’ de pessoas que antes não tinham diploma. Classe social abrange muitos outros fatores além da renda.

  4. Liliane 3 novembro 2011 at 9:04 am #

    Esse sistema de educação é uma vergonha,pois as pessoas não se preocupam nenhum pouco com qualidade de ensino apenas, mas apenas visam um dilpoma.A educação é tratada como algo lucrativo nada mais do isso.

  5. Shilrley Vieira 3 novembro 2011 at 9:08 am #

    O modelo de educação tecnicista esta muito voltado para o setor econômico, e pode sim ajudar as pessoas, financeiramente, mas deixa a desejar,pois alguns se lmitam a apenas lucrar e não a buscar conhecimentos.

  6. Reuel Gomes 3 novembro 2011 at 9:22 am #

    “O dinheiro igua-la as pessoas a educação as diferencia.” Essa frase me veio na hora quando li a postagem e os comentarios ja feitos, concordo que a visão do engenheiro é totalmente capitalista, ele não tem culpa, o sistma existe e todos fomos gerados dele, a mudança ira parti das pequenas ações. não sei qual sera o fim desta corrida pelo ouro, so tenho certeza quem menos tem, mais consome, não que seja pra ostentar luxos é um tipo de despositivo de auto valorização, é extranho eu sei, mais percebi. Por isso que a maioria das pessoas que frenquetam esse eniso privado é da classe C.

  7. Mirty Kátlhy 3 novembro 2011 at 9:34 am #

    este tipo de ensino deixa claro a preocupação das pessoas em ter um diploma, mas deixa a desejar a parte de aprendizagem. Pois o que se pode ver é um sistema completamente capitalista (podemos dizer de certa forma um tipo de troca, pois o aluno paga pelo diploma e não pela aprendizagem).

  8. Erivelton Nunes 3 novembro 2011 at 9:59 am #

    Isso só acontece porque a educação ainda não é uma prioridade no Brasil.O ensino tecnicista não visa a educação e sim o lucro, e ainda trata a educação como um “mercado financeiro” oferecendo apenas um diploma a jovens da classe C.

  9. jackson gomes 3 novembro 2011 at 11:00 am #

    Os objetivos deles concerteza é a entrega de diplomas formando jovens, visando só lado financeiro,e no fator mais importante que é o conhecimento eles deixam muito a dejesar!!!

  10. Barbosa 3 novembro 2011 at 11:05 am #

    Tanto é que é um sistema educacional voltado ao ensino superior, ou seja, não se importam com a base educacional da criança ou formação do aluno, o que importa é dar a oportunidade daquele aluno ter o seu diploma, frequentando as aulas, claro (pra não se dizer que foi “comprado”). Mas acho que isso não quer dizer que não exista instituições que não pensem também em preparar o seu aluno; pode ser que exista!

    • Marcos Acioly 3 novembro 2011 at 11:29 am #

      Conconcordo plenamente.Infelizmente estamos vivendo um período em que até mesmo a “educação” está sendo tratada como negócio.

  11. Sergio 3 novembro 2011 at 11:46 am #

    A educação já virou négocio a muito tempo. O que importa é o status, quantos diplomas se têem. Porém deva existir instituições ou pelo menos educadores que se preocupem sim em dar educação de qualidade.

  12. leo 3 novembro 2011 at 10:19 pm #

    concordo totalmente com meus amigos,para eles a educaçao é só mais um mar capitalista a ser besbravado.

  13. leonardo nascimento 3 novembro 2011 at 10:23 pm #

    concordo totalmente com meus amigos,para eles a educaçao é so mais um mar a ser desbravado.

    • Eraldo Antonio 3 novembro 2011 at 10:47 pm #

      Também concordo com todas as opiniões e vou além. “A máquina” jamais poderá substituir o professor apenas para encher os bolsos de empresários que visão exclusivamente o lucro. Querem “fabricar” alunos em série como carne enlatada, desse modo o diploma do aluno tem que ter o selo do INMETRO.

  14. Taiguara Soares 3 novembro 2011 at 11:17 pm #

    O texto deixa claro que a educação tornou-se mais um empreendimento lucrativo, onde a única preocupação é formar mão de obra qualificada para determinado trabalho, deixando de lado o conhecimento.

  15. Edelson Moraes 4 novembro 2011 at 1:18 am #

    E assim formamos um país de universitários. Ao menos no papel teremos vários peritos nas diversas ciências. Por enquanto, o lucro é só dos empreendedores da Educação!

  16. Antonio Vanderlan 8 novembro 2011 at 7:37 pm #

    Professor, achei o livro da Maria Lucia Aranha, mas não sei quais capítulos ler. Posta aqui quais os capítulos.

  17. José Nivaldo 10 novembro 2011 at 6:42 pm #

    Esse tipo de educação,serve para aumentar o numero de pessoas com diploma superior, mas acredito, que não é a melhor solução para a educação.


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